Quarta-feira, 27.01.10

Os génios na economia

O Ricardo Salgado disse que a banca teve um "comportamento espectacular" nesta crise. O Belmiro de Azevedo disse (1.º) que o “Cavaco é um ditador”, (2.º) que a Manela “teve muitos anos de trabalho, mas no Estado, nunca dormiu mal por ter a responsabilidade de saber como pagar salários", (3.º) que o Sócrates “liga e manda ligar muitas vezes” e (4.º) que “o Alegre devia ter juízo”.


Enquanto o banqueiro tenta manter a pose, o industrial manda murros na mesa.

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Terça-feira, 26.01.10

Comandante Travolta



Ir ajudar o Haiti em estilo é pilotando o nosso próprio avião.
[Fotografia: Getty Images]
Segunda-feira, 25.01.10

Tenho aqui um Orçamento para todos

O Orçamento Geral do Estado devia ser da exclusiva responsabilidade do Governo. Até podia ir ao Parlamento, mas apenas para que deputados e forças políticas que o repudiassem pudessem lavrar em acta a apreciação.


De resto, o Orçamento, embora seja uma lei da Assembleia, é um documento que responsabiliza exclusivamente o Governo, que é quem tem o direito e o dever de o executar, sob vigilância apertada da Assembleia, é certo, mas isso também só dá mais azo à queda das contas públicas no pobre debate político-partidário parlamentar, que acaba por ser assim uma coisa que não nos tranquiliza, estilo “o Parlamento vigia as contas públicas, que bom, assim estou mais descansado, vou até dormir uma sesta naquela jaula que tem um chimpanzé ninfomaníaco sem comer há duas semanas”.


Ora, estas negociações a que assistimos – há quem lhes reconheça “patriotismo” – são uma fantochada. A Oposição até pode ir para as reuniões com muito boas intenções, mas o que aqueles senhores querem sabemos nós e até o chimpanzé: popularidade que se reflicta em votos nas próximas eleições.


Com efeito, não há força política, para além do partido do Governo, que se preocupe com o sucesso do Orçamento Geral do Estado. O que a Oposição quer é que o Orçamento se espalhe ao comprido. É esse o seu trabalho. De outro modo, podíamos assistir a uma cena tão estrambólica quanto um partido da Oposição chegar às eleições e dizer: “reconhecemos que o Governo foi muito bom, executou um orçamento notável que nós ajudámos a aprovar, por isso desistimos da nossa candidatura e apelamos ao voto no Governo”.


Passem o pragmatismo que a sugestão comporta, e que em política é sempre indelicado, mas o Orçamento Geral do Estado devia ser aprovado pelo Governo em Conselho de Ministros, com passagem pela Assembleia para os habituais repúdios e por Belém para as habituais dúvidas.


Dir-me-ão os mais desconfiados: “Mas assim corremos o risco de ter um Orçamento pior que mau, sendo que entretanto o Governo fica sem vigilância e pode meter o IVA do país ao bolso”. Talvez, mas não consta que com o actual sistema se consiga um orçamento mais rigoroso. Pelo contrário, conseguimos orçamentos que, para além de respeitarem a vontade do Governo, têm também de agradar a um ou outro partido da Oposição, sem que se vislumbrem daí grandes benefícios para o país.


Mas enfim, este problema só se coloca com governos minoritários, que nos leva a outro problema, esse bem mais relevante porque dura um mandato inteiro, que é, justamente, a estupidez dos governos minoritários. Quem ganha as eleições, ganha as eleições, não ganha a legitimidade para negociar com os seus adversários. Salvo melhor opinião, isto não convoca necessariamente a democracia. Convoca, isso sim, a chantagem e as negociatas de bastidores.


Por isso, os governos devem governar sempre em maioria e com o orçamento que bem entendem. Se o Parlamento não "gosta" ou se entende que o Governo não está a cumprir o seu programa, pode sempre aprovar uma moção de censura e provocar a sua queda. Isto sim, convoca a democracia, porque deixa o partido mais votado governar e assegura a existência de uma Oposição com capacidade para se opor verdadeiramente e não para "negociar".

Haiti? Miccoli!

O jogo de futebol que é por causa do Haiti, para um certo energúmeno que a SIC entrevistou junto ao estádio é por causa do Miccoli – a pergunta aparentemente estúpida do jornalista - “se não é um jogo oficial do Benfica, o que o faz vir aqui?” - procurava uma resposta solidária daquela besta que superou todas as expectativas ao dizer que foi lá pelo Miccoli.


Felizmente, mesmo não tendo consciência disso – ou tendo, mas não relevando –, o dinheiro que o obtuso adepto pagou para ir ver o Miccoli vai parar aos haitianos.

O Público cita ipsis verbis demais


O partido ecologista “Os Verdes” manifestou hoje “muitíssimo grande preocupação” com as linhas gerais do Orçamento de Estado para 2010, acusando o Governo de se preparar para suprimir postos de trabalho na Administração Pública. - no Público.



Tal era o muitíssimo grande escândalo da deputada d'Os Verdes, que manifestou a muitíssimo grande preocupação.


Bonito, bonito era manifestar uma grandessíssima preocupação.

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ZP às 17:30 | link do post | comentar | partilhar

Sá Pinto, trata-me deste assunto

Parece que há por aí um português que entrou para o Guinness depois de ter sido o mais rápido a escrever uma mensagem num telemóvel. A proeza verificou-se num campeonato mundial de SMS – sim, leu bem, num campeonato mundial de SMS – que se realizou em Nova Iorque.

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Sábado, 23.01.10

Nem no dia da República?



Será que os indianos não conseguem respeitar a lotação dos meios de transporte?

[Fotografia: EPA, ensaio geral para a parada militar do dia da República da Índia.]
ZP às 19:55 | link do post | comentar | partilhar
Sexta-feira, 22.01.10

Houston, we have a problem

Gostava de saber como Pedro Passos Coelho pensa descalçar a bota que Ferreira Leite lhe calçou: O candidato à liderança do PSD não é deputado, não está no Parlamento, se lá quiser entrar tem de mostrar o bilhete de identidade e acomodar-se silenciosamente nas galerias.


Em ganhando, Passos Coelho terá de se confinar à “sala de pânico” na São Caetano, numa espécie de teleoposição que foi experimentada recentemente, com o êxito que se desconhece, por Luís Filipe Menezes no PSD e por Ribeiro e Castro no CDS.

ZP às 10:30 | link do post | comentar | partilhar
Quinta-feira, 21.01.10

O "presidente" de todos os portugueses

A publicação no You Tube de escutas realizadas no âmbito de uma investigação judicial é uma grande vergonha. O presidente do Futebol Clube do Porto só tem de exigir uma choruda indemnização ao Estado português, que deverá depois exercer o direito de regresso contra quem estava obrigado a proteger aquela informação.


Não sei de apitos coloridos, nem de futebol nem de arbitragem. Não sei se Pinto da Costa comprou ou vendeu árbitros. Sei que o país deve ser intransigente no que diz respeito às garantias do Estado de Direito, e implacável com as suas violações.

ZP às 13:46 | link do post | comentar | partilhar

Uma nota, para quê?



Uma nota, para dizer que este país perde muito tempo com as entradas e saídas de Marcelo Rebelo de Sousa das televisões.

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