Domingo, 28.02.10

Católico ou pinto-calçudo?

O professor acabou o seu último As Escolhas de Marcelo na RTP com um gesto romântico e cacofónico: ofereceu uma flor a Flor.


Mas antes fez uns comentários sobre o seu catolicismo – fé que lhe garante a fé do povo, pelo menos do que é crente. Em todas as democracias há um vendedor de bíblias.


Mas o professor Marcelo desta vez foi mais longe e abandonou o teatro Baltazar Dias – onde gravou o programa – com o cilício à mostra.



Ou então, por causa dos seus tiques, prendeu uma perna das calças na meia. Moda não é de certeza, embora me pareça que doravante haverá mais homens de negócios e académicos com uma perna das calças arregaçada.

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Sábado, 27.02.10

Então bom trabalho


Se não tiveres posição, segura o martelo pneumático com os pés. Podes encostar-te à rocha, se te sentires mais confortável. Não é preciso capacete nem luvas.


Só mais uma coisa, antes de começares: Para quem é que ligamos se por azar – nunca aconteceu, garanto-te – rachares a tola em duas partes iguais, como se fosse um coco?



[Imagem: Reuters]
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Recolha de alimentos para a Madeira

«O supermercado biológico Brio, situado em Lisboa, no bairro de Campo de Ourique (www.brio.pt, tel: 21 386 64 06), está a recolher alimentos, sobretudo enlatados e produtos de mercearia, para as pessoas desalojadas pela catástrofe na Madeira. As necessidades são imensas e urgentes. O Governo Regional assegura o transporte. Por favor passem palavra.»


(Alexandra Maciel, via e-mail.)

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Sexta-feira, 26.02.10

Words Taken Down

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Democracia beautiful


Provalvemente porque a democracia é uma festa, a apresentadora do Canal Parlamento empinocou-se toda para o programa.


Só se lamenta que tenha ido escrever o texto para o Guincho, em dia de nortada, fenómeno que lhe terá dado esta direcção ao cabelo. Reparem que o toucado, todo ele aponta para Cabo da Roca, o que me leva a apostar que a senhora escrevia de costas para a Malveira.


Quanto ao resto, há pouco mais a dizer. Nota máxima para o colar feito de um pequeno objecto que caiu de um satélite, há dois anos, em Idanha-a-Nova.

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ZP às 00:18 | link do post | comentar | partilhar
Quinta-feira, 25.02.10

A obsessão e a desvario

De vez em quando vou ao site do Expresso, por respeito, principalmente, ao Pintinho, exímio golfista. Em grande destaque está sempre a opinião do Henrique Raposo, embora eu considere o opinion maker merecedor de ainda mais destaque. Fosse eu o director do jornal e apagava tudo à volta, deixando apenas no meio os artigos do Henrique Raposo.


Ora constatem a incrível paleta de temas que o comentador aborda: Sócrates, Sócrates, Sócrates, Sócrates, Sócrates, Sócrates, Sócrates, Sócrates, Sócrates, Sócrates, Sócrates, Sócrates, Sócrates, Sócrates, Sócrates, Sócrates, Sócrates, Sócrates, Sócrates, Sócrates, Sócrates, Sócrates, Sócrates, Sócrates, Sócrates, Sócrates, Sócrates, Sócrates, Sócrates, Sócrates, Sócrates, Sócrates, Sócrates, Sócrates, Sócrates, Sócrates, Sócrates, Sócrates, Sócrates, Sócrates, Sócrates, Sócrates, Sócrates, Sócrates, Sócrates.


Não é genial? Nos últimos dez artigos, Raposo parou uma vez para falar em Augusto Santos Silva (cujas iniciais do nome formam ASS, numa coincidência que levou Raposo a passar uma noite em claro com o nervoso de publicar a sigla), e parou outra para falar na Madeira. Os restantes artigos versam sobre Sócrates ou sobre o primeiro-ministro, ou ainda sobre o José.


Mais uma curiosidade. O espaço da crónica chama-se A Tempo e a Desmodo, mas era para se chamar A Obsessão e a Desvario, nome vetado por Henrique Monteiro, que terá sido pressionado pelas portas do elevador no momento em que Raposo lhe sugeriu o nome. O comentador ainda disse que o problema era do sensor, mas o director não recuou.

Em Cuba


Aparentemente, o Fidel está bem. Digo aparentemente porque esta imagem pode ter sido capturada em câmara lenta, a dois mil frames por segundo, tendo sido a única que se aproveitou do movimento pendular que o líder cubano fez da espreguiçadeira até aos braços daqueles dois guardas.


Quanto ao Luís Inácio, é bom que tenha cuidado com as companhias, agora que está montado na grana. Não se espera que Fidel leve o presidente brasileiro para a boémia, mas a revolução também é um desporto muito caro.



[Imagem: Reuters]

A imagem, o consenso e o "grande acampamento"

Somos mais sensíveis à brutalidade da imagem. É como diz o povo – sempre com razão – quem não vê é como quem não sente.


Vem isto a propósito do consenso político em torno da necessidade de ajudar a Madeira. O poder político, do Parlamento europeu até à mais pequena freguesia, está empenhado em contribuir para a recuperação da Madeira.


Ainda bem – sublinhe-se.


Só se lamenta que o consenso não seja também alcançado quando estão em causa outras calamidades, não tão espectaculares mas que afectam igualmente muitas pessoas.


A pobreza, por exemplo, não origina tanto consenso. O seu combate termina onde começam as divergências ideológicas. “Tu és de esquerda, eu sou de direita, a gente depois encontra-se nas eleições.” E assim sucessivamente, sempre sem acordo, porque o trabalho da oposição é assistir ao fracasso do governo e o trabalho do governo é trabalhar contra os seus opositores. Não falo deste Governo. Falo de todos. É o sistema.


A tragédia na Madeira, pela imagem – e exclusivamente pela imagem –, não permite que o poder político faça o jogo habitual, porque é preciso ajudar as pessoas imediatamente.


Ora, se é um problema de imagem, estou convencido que uma concentração de pobres numa determinada região resolveria a pobreza. Imaginem que os pobres de Portugal – e há muitos – se concentravam num descampado. Imaginem que pelo menos um milhão de pobres – há muitos mais – se mudavam de vez para o “grande acampamento”.


Imaginem a miséria que os noticiários não revelariam. Pessoas sem comer, sem cuidados de saúde, sem o mínimo de higiene. Pessoas sem nada.


Pelas minhas contas, o “grande acampamento” convocaria o poder político para o consenso que os grandes acontecimentos exigem. Em menos de um ápice, o “grande acampamento” seria uma aldeia com saneamento básico e banda larga.


Que não restem dúvidas, é tudo uma questão de imagem.

ZP às 01:29 | link do post | comentar | partilhar
Quarta-feira, 24.02.10

Esplanada oculta

É bom saber que há minitornados a levar pelos ares algumas esplanadas. Cada cadeira da Sumol, cada mesa da Ice Tea, cada guarda-sol da Coca-Cola que esvoaça infrene pela atmosfera é uma vitória urbanística.


Resta agora inscrever na lei a proibição de proprietários e sócios-gerentes de restaurantes, cafés e pastelarias aceitarem toda a merda que os fornecedores oferecem. Por uma questão de salubridade.

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Vamos lá a saber (Parte II)

Então, como podemos nós ajudar a bonita e elegante ilha da Madeira a recompor-se deste horroroso acontecimento?


Comentário de Alexandra Maciel: «O envio de roupa, incluindo de casa (lençóis, atoalhados, etc.)adequada e em bom estado, é urgente.
Os CTT estão a oferecer o transporte e a embalagem.
Basta ir aqualquer uma das 900 estações de Correios, pedir a caixa solidária epôr como destinatário: “MADEIRA”. Não é preciso selo nem mais morada.Os serviços dos CTT tratarão de entregar as caixas às instituições locais.
Para mais informações foi formado um grupo no Facebook do Projecto De Luta Contra a Pobreza e Exclusão Social dos CTT.
Aqui fica o Link: http://www.facebook.com/pages/Projecto-De-Luta-Contra-a-Pobreza-e-Exclusao-Social/10150099542700192?ref=nf»


Comentário de Jónatas: «Segundo o Pedro Ribeiro, no seu video desta semana do programa “A Lei da Bola”, na Sapo, existe um número de telefone para contribuir no apoio à Madeira: 760 100 999. (o melhor é confirmares este número no video).» (Está confirmado o número.)

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