Para a Fernanda Câncio, o facto de Inês de Medeiros, deputada eleita pelo círculo de Lisboa, querer passar os fins-de-semana em Paris, é equiparável aos deputados eleitos pelo círculo de Bragança que moram nos Açores e que aparentemente viajam à borla. Entretanto, Isabel Moreira chama a isto “alivanhar os factos”.
Há uma grande diferença entre Bragança, Açores e Paris. A diferença é que há duas regiões que são território nacional, outra é o Paris da França.
Se a Inês de Medeiros morar nos Açores e for deputada por Lisboa, não me escandaliza que o Parlamento pague as suas viagens, embora entenda que mais justo seria os deputados que não moram nos seus círculos pagarem as suas viagens, eventualmente com “preços especiais”, que o Parlamento, como qualquer empresa, conseguiria.
Mas viver no estrangeiro é viver no estrangeiro. E não se pode argumentar com o espaço de “livre circulação”, porque estou certo que a Fernanda Câncio não encontraria razão para prejudicar um deputado eleito por Portalegre que quisesse viver numa tenda em Marrocos.
A Fernanda Câncio tem razão, porém, quando critica os que acusaram Inês de Medeiros de falsificação de documentos. Não sabia que alguém o tinha feito, mas enfim, é difamatório. O problema é que a deputada Inês de Medeiros não esteve melhor quando disse “o problema é Paris, então paguem-me até Badajoz”.
Quem fala assim, com esta sobranceria, merece que lhe paguem, de facto, até Badajoz. E merece os difamadores que tem. É um encontro de estilos.
Voltando, para terminar, à questão de fundo, os portugueses precisam de deputados que encontrem soluções e não de deputados que arranjam problemas. Inês de Medeiros é, até ver, um problema. Quer ir para Paris todos os fins-de-semana. Ou de quinze dias em quinze dias. Ou uma vez por mês. E quer que lhe paguem. Entende que é um direito.
Bom, eu, se fosse deputado, ia neste momento à secretaria do Parlamento e dizia que tinha decidido morar num hotel em Nova Iorque. Acho que tenho direito a morar num hotel em Nova Iorque. Agora quero que o Parlamento me pague as viagens de avião.
Tenho esse direito, não tenho? Sim, porque há alguém que vai para os Açores.