Sei que não é original escrever artigos sobre fornecedores de televisão por cabo ou operadoras de telecomunicações, mas como é irresistível, aqui vamos nós, again.
A minha internet e o meu telefone fixo, os dois, em alegre panelinha, começaram a falhar, numa rotina que se tornou insuportável e por isso, só por isso, lá liguei para a Zon.
Ora, esses verdadeiros mata-empregos que são os atendedores automáticos perguntaram-me ao que eu ia. Pedi então apoio técnico. Para internet... Sim, estou ao pé do router. Ok, eu espero...
Poucos minutos depois, lá aparece o homem-zon. Perguntou-me coisas e eu disse-lhe tudo: - Olhe, a internet e o telefone vão ao ar. A televisão também foi uma vez, mas depois passou-lhe. Agora, internet e telefone estão sempre a ir ao ar.
O homem-zon pergunta-me então, num exercício de déjà vu, se o telefone também ia ao ar. Disse-lhe que sim, mais uma vez... vai tudo ao ar, telefone e internet.
Bom, depois de uns testes, lá me diz, por outras palavras, que o problema deve ser meu, porque o sinal – ele diz que está a ver – está excelente.
Então não está excelente? Lá deve estar óptimo. Aqui é que não funciona. Mas o homem-zon, completamente indiferente, manda-me ligar para uma “pc não sei quê” – foi nessa altura que comecei a perceber que o homem-zon devia estar a revirar os olhos para o colega, como quem diz “mais um que tirou hoje o computador da caixa”.
- Ei, isto não funciona e não sou eu nem é o computador. Não trabalha. Puf. Nem telefone, nem net e até a televisão um dia parou. – Lá tentei eu abrir-lhe os olhos, cerradinhos que devem estar, permanentemente, na badana larga da colega cujos turnos vai perseguir até ganhar coragem para a convidar a sair, que é como quem diz ir fazer aeromodelismo ao Estádio Nacional.
Ah, mas o telefone não funciona? - pergunta-me ele. - Então já não lhe tinha dito que não? - Digo-lhe eu. - Pois, eu tinha perguntado, mas o senhor insistiu na internet, pensei que era mais importante. - Replica. - Eu não disse que a internet era mais importante, disse que falha a internet e o telefone, mas se quiser posso dizer-lhe que falha o telefone e a internet. - Vou assim eu, já um pedaço desesperado e a contar que aquilo fosse dar merda, como dão a maioria dos meus contactos telefónicos para empresas que cobram a totalidade de serviços que prestam apenas parcialmente.
Seja como for, fiquei sem saber de onde vinham os ciúmes do homem-zon, porque eu estava a queixar-me da internet e ele é, justamente, da internet – no atendedor foi o que eu escolhi, porque a máquina obriga-me a escolher qualquer coisa. Se eu tivesse dado mais importância ao telefone numa conversa com um técnico da internet, ainda podia perceber.
Resultado, o homem-zon lá deixou o pedido para os colegas do telefone, que há pouco me ligaram a dizer que “sim senhor, estiveram a verificar e há quebras no serviço a afectar o telefone e – notem bem – a internet!”.
Não é incrível? O complicado de ontem fez uma cena de ciúmes, disse-me que os sinais estavam óptimos e mandou-me para a “pc não sei o quê”. Hoje, foi uma limpeza. Nem um minuto demorou a conversa.
As pessoas, a trabalhar, são mesmo assim: há umas muito boas, outras muito más. Estas, as muito más, por mim podiam ir para a praia com um subsídio daqueles que o dr. Portas critica.
Não tenho dúvidas: há pessoas a quem o Estado devia pagar para não fazerem rigorosamente nada, não tocarem em nada, não mexerem em nada. Há pessoas que só atrapalham. Pagar-lhes para não trabalharem nada seria muito justo, porque os outros, pelo menos, podiam avançar.