Quarta-feira, 21 de Julho de 2010
Connosco, a auto-estima vai sempre atrás

Carlos Moedas, que tem a curiosa particularidade de trabalhar com dinheiro, escreve no 31 da Armada sobre a falta de auto-estima dos portugueses. Este é mais um tema original no conjunto das nossas obsessões.

Bom, mas a falta de auto-estima, a existir, começa naqueles que um dia se deslumbraram com o estrangeiro e desde então nunca mais deixaram de apontar os vícios desta província que é a deles.

O Carlos Moedas, por exemplo, encantou-se com um taxista madrileno que elogiou a meteorologia da capital espanhola. Se o motorista fosse português, Moedas aposta que o comentário teria sido algo deste género: «Sabe, isto neste país já nem o clima se aproveita».

Como parece evidente, o problema é de Carlos Moedas e não do taxista português, que acaba por ser um alter-ego deste financeiro desiludido com o seu país e com o clima.

Com efeito, e não questionando a imensa falta de auto-estima que o Carlos Moedas tem encontrado nos motoristas de táxis lusos, parece-me que devemos ter um empate técnico, nesta matéria, entre Portugal e Espanha, porque também há taxistas em Portugal que elogiam o seu país muito para além dos limites da razoabilidade - sobretudo quando têm no banco traseiro um estrangeiro daqueles que pode dar uma boa gorjeta e que até pode querer ir, eventualmente, até Cascais.

 

O dr. Moedas devia perceber isto, pelo menos melhor do que eu, até porque estamos no campo dos "investimentos".

 

De facto, não haverá maior falta de auto-estima nos taxistas portugueses que nos espanhóis ou que nos condutores de tuk-tuk.

 

A existir, a falta de auto-estima está nos passageiros, sobretudo naqueles que não se ensaiam para lamentar a província overseas. Isto é, bonito bonito seria ver o Carlos Moedas a recordar melancolicamente, naquele táxi, a auto-estima dos portugueses. Mas não. Ocorreu-lhe a falta dela e filosofou sobre o tema.



publicado por José Costa e Silva às 12:58
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1 comentário:
De João. a 21 de Julho de 2010 às 20:40
"No momento em que o Português é chamado a desempenhar qualquer papel importante põe em jogo todas as suas qualidades de acção, abnegação, sacrifício e coragem e cumpre como poucos. Mas, se o chamam a desempenhar um papel medíocre, que não satisfaz a sua imaginação, esmorece e só caminha na medida em que a conservação da existência o impele. Não sabe viver sem sonho e sem glória." Jorge Dias.

(Retirado de "http://obp.blogs.sapo.pt/1336.html", onde pode ler-se o texto de Jorge Dias cuja citação recortei.)


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