Guerra? Mas, mas...

 

Do oriente chega-nos a notícia de uma antiga colónia que anda saída da casca. Às ordens da República Popular da China, Macau não deu autorização ao nosso navio-escola Sagres para atracar, porque parece que a autonomia da região não permite a visita de navios de guerra.

 

Navio de guerra? Em que guerra podia entrar o nosso navio-escola Sagres quando nem de uma pequenina escaramuça conseguiria sair ileso? O navio-escola Sagres está mais perto de entrar numa residência sénior de José de Mello do que numa guerra.

 

Portanto, que autoridades chinesas são estas que, indiferentes às características deste simpático navio-escola, proíbem-no de atracar num porto que já foi dele? São porventura burocratas ocidentais do oriente, concentrados no que diz o livrete: Marinha Portuguesa.

 

Mas – pergunto – não será uma ameaça maior temer a Marinha Portuguesa, quando nem a nossa frota toda reunida, submarinos incluídos, aos tiros no mar do sul, justificaria acordar o ministro da Defesa chinês?

 

Enfim, ao serviço de Portugal desde 1962, o Sagres começou a sua carreira como navio-escola da Alemanha nazi, em 1937. Foi entretanto capturado pelos Estados Unidos, no final da segunda grande guerra, e logo vendido ao Brasil, que nele fez escola durante treze anos, até vender a Portugal.

 

Como é que se recusa abrigo a um vetusto navio-escola com 73 anos de história é que eu não sei... Que raio de mundo é este!?

 

[Imagem: Marinha Portuguesa]

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