Tantos pobres e logo havia Feteira de ser rico

 

Um industrial de Vieira de Leiria. Uma filha Olímpia. Uma amante com dois balázios em plena Maricá.

 

Aguente-se, mas o advogado Duarte Lima é indispensável para tornar este escândalo minimamente interessante. As restantes personagens, por mais dinheiro que tenham levado do velho Feteira, são de uma pobreza confrangedora.

 

O próprio Duarte Lima não é o protótipo do advogado milionário que arruma uma cliente por causa de uns poucos de uns milhões de euros. A ser verdade o rumor que sobre ele se espraia, teve de ir pessoalmente ao Brasil tratar do assunto. Pergunta-se então – para que servem os estagiários?

 

Numa história destas, o mínimo que se podia esperar do advogado era que estivesse no alla Scala a assistir ao Otello enquanto a sua cliente era assassinada por um recém-licenciado nervoso e ainda com muitas dúvidas sobre a legalidade daquele acto – nomeadamente por causa da jurisdição – tudo no exacto momento em que em Milão também Otello liquida a Desdémona, não por dinheiro, mas por ciúmes, que é a mesma coisa.

 

Aliás, Desdémona também deve ser herdeira do Feteira, desde logo pelo nome – este caso está cheio de nomes próprios impróprios – mas sobretudo porque toda a gente é herdeira do Feteira – menos eu e provavelmente o meu leitor.

 

[Imagem: via Google Images]

ZP às 15:30 | link do post | comentar | partilhar