Alto lá!

- Aonde pensa que vai aos comandos desse veleiro? – Pode ter sido esta a abordagem da Polícia Marítima portuguesa à jovem velejadora holandesa que vai circum-navegar o mundo sozinha e sem idade para sequer circum-navegar o bairro de scooter.

 

O caso foi muito discutido, lá na terra dela. O tribunal primeiro disse que os pais eram malucos, mais tarde manteve que os pais eram malucos mas lá deixou a rapariga seguir uma viagem que começaria aqui, em Portugal, não fosse a Polícia Marítima descobrir que a pequena velejadora não está habilitada para governar a embarcação.

 

Claro que não está. Ela tem 14 anos! Nem se pode governar a si própria, quanto mais uma embarcação!? Creio, porém, e salvo melhor opinião dos capitães do nosso mar, que estamos perante uma situação excepcional.

 

Com efeito, muito honraria a nossa pátria que uma viagem destas, repleta de bravura marítima, começasse nas nossas águas, porque foi deste mar que os mais destemidos se largaram, também ao desconhecido, por mares nunca de antes navegados.

 

Quando soube que a Polícia Marítima tinha escoltado Laura Dekker até sair de águas territoriais portuguesas, confesso que imaginei uma escolta de cortesia, com salva de tiros e tudo. Mas não, parece que foi escoltada daqui para fora por “não estar habilitada para navegar a embarcação”!?

 

Mas que país de marinheiros é este!? Que alteração na genética se deu assim tão de repente, que de heróis passámos a mariquinhas burocratas!? Que vergonha enorme foi esta de corrermos com uma marinheira de palmo e meio, embora de barba rija, daqui para fora!?

 

Enfim, o problema foi ultrapassado. A Laura vai começar a sua aventura em Gibraltar, sendo absolutamente certo que, se tiver de voltar a passar por Portugal, será seguramente ao largo.

 

E parece ser só desta forma – tristemente o digo – que ainda se acha graça a Portugal: ao largo, do alto mar. De longe.

ZP às 13:02 | link do post | comentar | partilhar