Parem o monta-cargas que vou buscar mais ketchup!
Há pouco, nas Amoreiras, iam as portas quase fechando quando me irrompe pelo elevador uma mastronça. Estávamos então no segundo piso e ela carregava o seu jantar, comprado no McDonald’s.
Nessa altura já eu estava num cantinho, prontinho para seguir para o piso -2. Tomou ela, portanto, os comandos da máquina, carregando no piso 1 e depois em todos os botões, incluindo o da ventoinha, à procura daquele para fechar as portas mais depressa.
Estive para lhe dizer que não tinha de se preocupar comigo, pois embora a contragosto, aguentaria perfeitamente uma viagem tão curta com uma mastronça tão grande. Tive medo, porém, que não fosse essa a sua intenção, ao procurar fechar as portas tão depressa. Podia querer sexo – pensei eu, embora rapidamente me tenha ocorrido que já tinha hambúrgueres, pelo que só depois da digestão lhe viria semelhante actividade à cabeça, e sendo certo que sexo, neste caso, deve ser só uma desculpa para ir buscar mais um Sundae.
Enfim, cinco segundos depois de partirmos do piso 2, lá chegámos ao piso 1, destino da mastronça. Fiquei-lhe a olhar para o rabo e a pensar na vida.
Devo dizer que não estou a criticar uns quilos a mais, sob pena da minha própria barriga me franzir o sobrolho. O que critico é o estilo de vida de uma rapariga que janta no McDonald’s e desce um piso de elevador. Um piso! As escadas estavam ali ao lado e são umas escadas óptimas. Nem os italianos têm uma escadaria daquelas lá na bota.
Bom, depois há a questão do stress. Não satisfeita com os dois belíssimos tiros no céu na boca que já configuram semelhante jantar e tanto sedentarismo, a mastronça ainda se abespinha com a lentidão das portas do elevador, cujo compasso de espera, creio, foi até mais por segurança, pois o elevador quis certificar-se de que tinha entrado aquele rabo todo, para não entalar um bocado de nalga.