Passos, o bravo
Passos Coelho disse aos senhores da Troika: "Senhores da Troika, estamos a fazer isto por nós, não por vós". Bravo. Grande maluco. O Carlos Moedas terá gritado, lá nos bastidores, "inchem porcos!".
No entanto, há coisas tão evidentes que se torna estúpido dizê-las, sobretudo quando nos dirigimos aos senhores da Troika por "senhores da Troika". Mas isto só prova que Passos Coelho admite fazer coisas pelos senhores da Troika, senão jamais os recordaria, galhardamente, que as tem feito por nós, num estilo de quem não tem mesmo medo de ninguém: "Julgavas que era por ti? Estás muito enganado, ó senhor da troika, eu não quero saber de ti para nada, nem sei quem tu és. Quem és tu, senhor da troika?".
Entretanto, lá nas suas cadeiras, os senhores da Troika devem pensar "nós também estamos a fazer isto por vós" e lá vão abanando a cabeça afirmativamente, cerrando porém os dentes do nervoso: "Como é que o meu patrão me autorizou a pôr na mão deste poeta mais do que uma nota roxa?"
Bom, mas o que interessa é deixar bem claro a esses senhores - hã! - que estamos a fazer isto por nós. Ouviram bem? Vocês até nem queriam tanta austeridade, mas nós impomo-la e sabem porquê? Porque somos nós que mandamos. Nós é que mandamos aqui. A compris? Nós nem sabemos quem são os senhores! Quem é que os senhores são?