Era da informação e da estupidificação
A notícia do Expresso sobre um camelo de 19 anos que chateia a sua avó para depois colocar os vídeos no You Tube – vídeos esses que são vistos e apreciados por milhares de pessoas – é mais uma prova de que a estupidez se está a banalizar.
Noutros tempos, quando não havia computadores, também havia estúpidos deste calibre, mas ficavam lá na vida deles, a importunar cobardemente as avós que, de tão boazinhas, não encontram coragem para lhes racharem a tola com um tacho.
Agora não. Agora estes camelos não só existem como são seguidos por outros camelos, formando assim um exército de camelos que já quase pode ser visto da lua.
Pode ser visto da lua, mas também no Expresso, que é outra coisa que eu não compreendo. Como é que o nosso mais influente semanário tem a lata de publicar uma anormalidade destas?
De resto, o Expresso, como o camelo, está a usar a imagem de uma pessoa que não autorizou este espectáculo degradante nem tão-pouco sabe que representa o papel principal no triste filme que é a adolescência do seu neto.
Para mim é evidente que o Expresso não pode fazer isto. O camelo também não, mas casos perdidos é outro departamento. Agora, o Expresso não pode fazer isto. Isto não é liberdade de informação, não é coisa nenhuma. Será apenas um patrocínio ao camelo, que vá lá alguém compreender.
