Ui… se é para ir aplicando


Alguém saberá o que se passa com o acordo ortográfico? Há por aí uma gente que o aplica – temerários – outra que não – timoratos – e outra ainda que não sabe o que fazer – titubeantes.

Não sei quem teve a ideia de pedir ao país das obras de Santa Engrácia para “ir aplicando” um acordo ortográfico, mas teve muita graça.

Não tarda estão os palops montados no Português do futuro, ainda andamos nós aqui a contemplar os vocábulos e a julgar o futuro dos cês e dos pês.

Uma pequena nota sobre isto da “ditadura”


Se é grave a suspeita de que o poder político procura controlar a comunicação social, não é menos grave a  suspeita de que alguma comunicação social procura controlar o poder político.

Mas isto não se pode dizer, porque – lá está! – é contra a liberdade de expressão.

À espera de Ana Gomes*


* Ou de alguém que também tenha falado com açorianos que viram pessoas agrilhoadas a trocar de avião. Como está o processo dos aviões da CIA? Será que já não paga dividendos a políticos pop?

[Fotografia: Reuters]

Preços sempre baixos, anúncios sempre parvos


Louvado seja o Pingo Doce, porque houve um temporal no Oeste que fez aumentar os preços dos legumes, menos lá no Pingo Doce, que diz que tem um compromisso connosco de manter os preços sempre baixos.

As margens é que eles têm sempre altas – já aqui o dissemos e vamos continuar a dizer até que esta série de anúncios terroristas acabe.

Vejam bem: eles têm uma margem tão grande que, mesmo quando os fornecedores aumentam bruscamente o preço, é-lhes possível manter o “compromisso” connosco.

Daí que, a haver compromisso, só se for o daquela pequena superfície comercial nos amar pela retaguarda, visto que nem uma violenta borrasca de alerta laranja, que devastou uma região inteira e que instou até o presidente da República a cagar as suas carneiras, obrigou a mexidas nos preços.

Imaginem portanto o pecúlio que aqueles vampiros da distribuição não fazem em cada repolho, a ponto de lhes ser possível fazer chegar à frente o repolho-mor – aquele que exibe nos anúncios um sorriso semelhante ao deslizamento de terras na crel – para anunciar que não mexem nos preços, ficando “sempre baixos”.

Sempre baixos são os golpes publicitários daquela cadeia maluca.

Lançará a Dra. Cavaca búzios?


Sempre que há barraca com o Governo, o Presidente da República está nos seus roteiros. Há uns meses, quando andava tudo à nora com as escutas do processo Face Oculta, o Presidente andava a visitar tanques de aquacultura.

Agora, outra vez as escutas do processo Face Oculta, muitas suspeitas sobre o Governo, e lá anda o Presidente no seu roteiro, superior a tudo.

Até pode ser coincidência, mas a agenda do Presidente coloca-o sempre longe dos escândalos. É como se adivinhasse.

[Fotografia: Presidência da República]
[Legenda: O Presidente contempla frascos de iogurte líquido.]

E primeiro que saíssem do banho…


Antes de uma parada, os elementos desta força policial chinesa arranjam mutuamente as medalhas. Depois disto ainda devem ver se têm alguma coisa nos dentes e só posteriormente se formam.

[Fotografia: Reuters]

Por falar em défice e em não sair da cama


Discutir o défice?


O casamento entre pessoas do mesmo sexo não interessa porque o défice está primeiro. A Lei das Finanças Regionais não interessa porque o défice está primeiro.

O défice está sempre primeiro, até para aquele economista da SIC, Gomes Ferreira, que à hora de almoço dizia ao Bento Rodrigues horrores do Parlamento só porque lá se discutia o dinheiro para a Madeira enquanto o país ia pelo cano.

Vamos lá então discutir o défice, não sem antes fazer uma declaração de algum interesse: não estou habilitado por nenhuma instituição de ensino superior a falar sobre défices públicos e em tempos falhei a entrada numa instituição de ensino secundário porque aconteceu à minha prova de matemática aquilo que anos mais tarde viria a acontecer à minha prova de latim, embora um caso e outro estejam muito longe daquilo que viria a acontecer à comparação que fiz de um poema com um motor de combustão interna, recensão que viria a encontrar pela frente um professor comunista que já me admirava bastante, mesmo antes daquela incursão pela mecânica e pela poesia

Seja como for, vamos lá falar do défice, para dizer, logo a abrir, que não nos interessa nada discutir o défice. Admitindo – duas coisas – primeira – que a nossa economia mantém a sua “pujança descontrolada” e – segunda – que nós queremos manter este país moderno, o défice só se reduz com – duas coisas – primeira – aumento de impostos e – segunda – cortes na distribuição da “matéria colectada”. Estamos a falar em congelar salários, cortar subsídios, comparticipações e por aí adiante.

Quem é que no seu perfeito juízo quer discutir uma coisa destas? Bem sei que há pessoas que acreditam que se reduz o défice acabando com os telemóveis dos assessores dos governantes, mas isso é conversa de taberna. É verdade que se os gestores públicos tivessem mais trambelho, talvez a coisa estivesse levemente mais equilibrada, mas nunca chegaria para nos salvar da bancarrota.

Resulta daqui que o nosso défice somos nós e nós somos o nosso défice. Às vezes podia ser uma coisa do além, mas não.

Nós produzimos pouco e gostamos de fazer pouco. Alguns portugueses até saem da cama, mas depois não gostam de investir porque está sempre tudo à espera do apocalipse, como se para esse espectáculo fosse preciso levar dinheiro. Os que lá conseguem fazer o primeiro milhão, depois não querem continuar a trabalhar, preferindo fermentá-lo nos famosos investimentos imobiliários, que já o paizinho dizia que era garantido.

Até o próprio Gomes Ferreira, da SIC, que tanto se queixa do Parlamento não discutir a bancarrota do país, não levanta o económico traseiro da cadeira do estúdio do jornal da tarde para ir trabalhar. Mas a verdade é que um país, para ter pessoas a falar, precisa de ter outras na forja.

Salvo melhor opinião, o nosso défice é isto: é um país que não gosta de trabalhar e que é escandalosamente pouco ambicioso, mas que gosta de viver bem e que é originalmente solidário. Alguém quer discutir um problema destes?

O optimismo do Amadeu…


tentou dar como garantia um cheque falso de 25 milhões de euros.

A democracia do Crespo


José Sócrates, Lacão e Silva Pereira estão longe de ser as únicas pessoas neste país a criticar o jornalista Mário Crespo, em alto e bom som, num restaurante.

O facto de José Sócrates, Lacão e Silva Pereira serem governantes pode causar mais prurido no jornalista, mas ele lá terá de se habituar à ideia de que em democracia um primeiro-ministro pode dizer o que pensa de um jornalista, sobretudo numa conversa privada. Pode até, nesse âmbito, dizer a um director da estação que deve solucionar o problema.

Acontece que na democracia que o Mário Crespo admira, um primeiro-ministro não pode dizer que não gosta dele, nem tão-pouco pode comentar com amigos o que acha dele. Nessa democracia do Crespo, o Crespo tem de ser admirado por todos e quem não gosta dele não o pode afirmar em espaços públicos, porque o Crespo está à escuta.

Não consta porém, pelo menos o Crespo não o ouviu de ninguém e não o relatou em seguida, que Sócrates tivesse abusado do seu poder para correr com Crespo da antena. A única coisa que o Crespo ouviu de alguém foi que Sócrates não gosta dele e que acha que o director da estação devia solucionar o problema.

A ser verdade, esta é a opinião do primeiro-ministro, enquanto janta com amigos e colegas de Governo. Será que não a pode ter? Será que um primeiro-ministro está obrigado a admirar e respeitar o Mário Crespo e o Medina Carreira? É essa a democracia que o Mário Crespo procura? Então não é de admirar que se sinta perseguido.

Uma nota sobre a corrupção, outra sobre iogurtes


A proposta de divulgar publicamente os rendimentos dos contribuintes não é só muito má, é verdadeiramente inacreditável. Tão inacreditável que se impõe divulgar, isso sim, os deputados que a pensaram: Jorge Strecht Ribeiro, Afonso Candal e Mota Andrade.

Esta “coisa”-proposta era para ser entregue à comissão parlamentar de combate à corrupção. Se a tripla Strecht, Candal e Mota entende que é assim que se combate a corrupção, podemos concluir, mais uma vez, que o combate à corrupção encontra os primeiros obstáculos, justamente, nos seus próprios agentes.

Seja como for, comi hoje um iogurte de banana, facto que admito não ser extraordinário, mas que reveste alguma solenidade tendo em consideração o tempo que passou desde que malhara lacticínio quejando. Que maravilha. Recomendo entusiasticamente iogurtes de banana.

O protector de dados e a pelota


“Alguém ser despido das suas vestes involuntariamente já por si não é muito bem aceite na nossa sociedade” – foi mais ou menos assim que um doutor da Protecção de Dados falou à RTP sobre as novas medidas nos aeroportos do primeiro mundo, aquelas que recorrem a potentes scanners, capazes de mostrar tudo o que temos.

O que não é muito bem aceite na nossa sociedade – alguém faça chegar isto ao cavalheiro – é uma pessoa ir pelos ares em pleno oceano. Levar com uma bomba pelo traseiro é que não é muito bem aceite na nossa sociedade. Assim como “ralahlhalhamaha” ser a última coisa que ouvimos também não acolhe maior simpatia na nossa sociedade.

Qual é o problema do cavalheiro da Protecção de Dados em mostrar-se à segurança do aeroporto? Terá ele receio de encontrar um antigo companheiro de caça, do outro lado do ecrã, a quem jurara ter uma “arma” maior do que aquela que verdadeiramente possui?

Se for isto, é muito chato, a gente convém que é muito chato. Mas pior é ser-se recolhido pela Marinha norte-americana, agarrado à fuselagem de uma aeronave. Se o senhor da Protecção de Dados não percebe isto e ainda matuta nos costumes e nas vestes, é porque é um bom homem e daria um excelente alfaiate.

A dieta do Estado


Cruzo os comentários da presidente da Argentina sobre a carne de porco – a senhora Kirchner diz que é melhor que Viagra – com o défice português – que o senhor Teixeira dos Santos diz que está maior do que pensava – e chego à conclusão de que andamos a comer muita febra.

Os génios na economia


O Ricardo Salgado disse que a banca teve um “comportamento espectacular” nesta crise. O Belmiro de Azevedo disse (1.º) que o “Cavaco é um ditador”, (2.º) que a Manela “teve muitos anos de trabalho, mas no Estado, nunca dormiu mal por ter a responsabilidade de saber como pagar salários”, (3.º) que o Sócrates “liga e manda ligar muitas vezes” e (4.º) que “o Alegre devia ter juízo”.

Enquanto o banqueiro tenta manter a pose, o industrial manda murros na mesa.

Comandante Travolta


Ir ajudar o Haiti em estilo é pilotando o nosso próprio avião.

[Fotografia: Getty Images]

Tenho aqui um Orçamento para todos


O Orçamento Geral do Estado devia ser da exclusiva responsabilidade do Governo. Até podia ir ao Parlamento, mas apenas para que deputados e forças políticas que o repudiassem pudessem lavrar em acta a apreciação.

De resto, o Orçamento, embora seja uma lei da Assembleia, é um documento que responsabiliza exclusivamente o Governo, que é quem tem o direito e o dever de o executar, sob vigilância apertada da Assembleia, é certo, mas isso também só dá mais azo à queda das contas públicas no pobre debate político-partidário parlamentar, que acaba por ser assim uma coisa que não nos tranquiliza, estilo “o Parlamento vigia as contas públicas, que bom, assim estou mais descansado, vou até dormir uma sesta naquela jaula que tem um chimpanzé ninfomaníaco sem comer há duas semanas”.

Ora, estas negociações a que assistimos – há quem lhes reconheça “patriotismo” – são uma fantochada. A Oposição até pode ir para as reuniões com muito boas intenções, mas o que aqueles senhores querem sabemos nós e até o chimpanzé: popularidade que se reflicta em votos nas próximas eleições.

Com efeito, não há força política, para além do partido do Governo, que se preocupe com o sucesso do Orçamento Geral do Estado. O que a Oposição quer é que o Orçamento se espalhe ao comprido. É esse o seu trabalho. De outro modo, podíamos assistir a uma cena tão estrambólica quanto um partido da Oposição chegar às eleições e dizer: “reconhecemos que o Governo foi muito bom, executou um orçamento notável que nós ajudámos a aprovar, por isso desistimos da nossa candidatura e apelamos ao voto no Governo”.

Passem o pragmatismo que a sugestão comporta, e que em política é sempre indelicado, mas o Orçamento Geral do Estado devia ser aprovado pelo Governo em Conselho de Ministros, com passagem pela Assembleia para os habituais repúdios e por Belém para as habituais dúvidas.

Dir-me-ão os mais desconfiados: “Mas assim corremos o risco de ter um Orçamento pior que mau, sendo que entretanto o Governo fica sem vigilância e pode meter o IVA do país ao bolso”. Talvez, mas não consta que com o actual sistema se consiga um orçamento mais rigoroso. Pelo contrário, conseguimos orçamentos que, para além de respeitarem a vontade do Governo, têm também de agradar a um ou outro partido da Oposição, sem que se vislumbrem daí grandes benefícios para o país.

Mas enfim, este problema só se coloca com governos minoritários, que nos leva a outro problema, esse bem mais relevante porque dura um mandato inteiro, que é, justamente, a estupidez dos governos minoritários. Quem ganha as eleições, ganha as eleições, não ganha a legitimidade para negociar com os seus adversários. Salvo melhor opinião, isto não convoca necessariamente a democracia. Convoca, isso sim, a chantagem e as negociatas de bastidores.

Por isso, os governos devem governar sempre em maioria e com o orçamento que bem entendem. Se o Parlamento não “gosta” ou se entende que o Governo não está a cumprir o seu programa, pode sempre aprovar uma moção de censura e provocar a sua queda. Isto sim, convoca a democracia, porque deixa o partido mais votado governar e assegura a existência de uma Oposição com capacidade para se opor verdadeiramente e não para “negociar”.

Haiti? Miccoli!


O jogo de futebol que é por causa do Haiti, para um certo energúmeno que a SIC entrevistou junto ao estádio é por causa do Miccoli – a pergunta aparentemente estúpida do jornalista – “se não é um jogo oficial do Benfica, o que o faz vir aqui?” – procurava uma resposta solidária daquela besta que superou todas as expectativas ao dizer que foi lá pelo Miccoli.

Felizmente, mesmo não tendo consciência disso – ou tendo, mas não relevando –, o dinheiro que o obtuso adepto pagou para ir ver o Miccoli vai parar aos haitianos.

O Público cita ipsis verbis demais


O partido ecologista “Os Verdes” manifestou hoje “muitíssimo grande preocupação” com as linhas gerais do Orçamento de Estado para 2010, acusando o Governo de se preparar para suprimir postos de trabalho na Administração Pública.no Público.

Tal era o muitíssimo grande escândalo da deputada d’Os Verdes, que manifestou a muitíssimo grande preocupação.

Bonito, bonito era manifestar uma grandessíssima preocupação.

Sá Pinto, trata-me deste assunto


Parece que há por aí um português que entrou para o Guinness depois de ter sido o mais rápido a escrever uma mensagem num telemóvel. A proeza verificou-se num campeonato mundial de SMS – sim, leu bem, num campeonato mundial de SMS – que se realizou em Nova Iorque.

Nem no dia da República?


Será que os indianos não conseguem respeitar a lotação dos meios de transporte?

[Fotografia: EPA, ensaio geral para a parada militar do dia da República da Índia.]

Houston, we have a problem


Gostava de saber como Pedro Passos Coelho pensa descalçar a bota que Ferreira Leite lhe calçou: O candidato à liderança do PSD não é deputado, não está no Parlamento, se lá quiser entrar tem de mostrar o bilhete de identidade e acomodar-se silenciosamente nas galerias.

Em ganhando, Passos Coelho terá de se confinar à “sala de pânico” na São Caetano, numa espécie de teleoposição que foi experimentada recentemente, com o êxito que se desconhece, por Luís Filipe Menezes no PSD e por Ribeiro e Castro no CDS.

O “presidente” de todos os portugueses


A publicação no You Tube de escutas realizadas no âmbito de uma investigação judicial é uma grande vergonha. O presidente do Futebol Clube do Porto só tem de exigir uma choruda indemnização ao Estado português, que deverá depois exercer o direito de regresso contra quem estava obrigado a proteger aquela informação.

Não sei de apitos coloridos, nem de futebol nem de arbitragem. Não sei se Pinto da Costa comprou ou vendeu árbitros. Sei que o país deve ser intransigente no que diz respeito às garantias do Estado de Direito, e implacável com as suas violações.

Uma nota, para quê?


Uma nota, para dizer que este país perde muito tempo com as entradas e saídas de Marcelo Rebelo de Sousa das televisões.

O novo império


Porque nos importa a forma de governação dum território [Afeganistão] tão distante e desconhecido? Há quase dois séculos que os meus compatriotas não estavam presentes naquela parte do mundo para melhorar a forma da democracia, ou os direitos dos locais. Mas houve uma profunda mudança desde essa altura. Hoje em dia, a forma de governação no Afeganistão tem um impacto directo sobre a segurança do Reino Unido, e não só. Não se pode dissociar uma da outra. – Alexander Ellis, Embaixador Britânico em Lisboa, no seu blogue Um bife mal passado.

Este argumento levanta várias questões: (i) Admitindo que se leva a democracia para aquelas bandas, temos depois de nos ir assegurando de que ela não descamba. Isto é, temos de controlar permanentemente o poder político na região; (ii) Depois, é preciso ocidentalizar o mundo inteiro, torná-lo democrata, mas sempre sob a nossa perseverante égide; (iii) Quando encontramos um regime potencialmente ameaçador, temos de partir para a guerra, que dizemos “justa”, como de outras se disse “santas”.

É complicado. O Embaixador tem razão: a forma de governação no Afeganistão tem impacto directo sobre a segurança do Reino Unido e não só. O problema é a partir daqui, saber até onde vai a necessidade de controlar uma região. Ou o mundo.

Política menos evidente


Em Massachusetts, há hoje eleições para o senado, para o lugar de Ted Kennedy. O candidato republicano, Scott Brown, espera um milagre e não tem pejo em assumi-lo num vídeo épico.

Poucos no marketing político aprovariam tal coisa, perante o evidente sinal de fraqueza. Mas Scott Brown foi atrevido e contra as evidências pode mesmo ganhar.

Esta estratégia não está muito longe daquela que Obama seguiu, com o sucesso que se conhece. Yes we can também foi uma entrada de sendeiro.

O tempo das “ondas” e das “vagas de fundo” já lá vai. Na América; e eu estou convencido de que em Portugal também. Quem não perceber isto vai perder eleições, mesmo arrancando de vitórias evidentes.

(Actualização: Scott Brown ganhou mesmo. Hoje Obama deve estar impossível de aturar.)

O retorno (também será absoluto?)


Pode ser vaidade ou apenas descaramento, mas a entrevista de João Rendeiro ao jornal i não tem cabimento. O antigo presidente do Banco Privado Português falou ao jornal para mostrar que já recuperou, que está com novos negócios, “todos acima dos cinquenta milhões de euros” e todos “fora de Portugal”.

A verdade é que Rendeiro não foi condenado por nenhum crime, pelo que tem os seus direitos intactos. Pode trabalhar, fazer dinheiro e dele o que quiser. O antigo administrador do Banco Privado Português não tem qualquer responsabilidade criminal, enquanto falamos, pelo que aconteceu ao seu banco.

Não tem responsabilidade criminal, mas também não tem respeito pelas pessoas, nomeadamente pelos seus clientes e pela situação em que estão, mercê de um dia lhe terem confiado dinheiro.

Não sei o que pretende Rendeiro ao aceitar exibir num jornal a sua suposta recuperação financeira e profissional – que em nenhum momento prova – mas sei que se dispensava, nesta altura, a jactância de um banqueiro que falhou redondamente.

Era uma vez Cavaco no Oeste


O presidente Cavaco foi ao Oeste lamentar imensas coisas. Falou nos “ventos de grande velocidade” e lembrou o caso de dois manos que “fizeram tudo certo” – e isto significa, mais coisa menos coisa, endividarem-se à antiga para num segundo ir tudo pelos ares, logo quando o primeiro rendimento espreitava.

Na sua deslocação ao Oeste, o presidente foi pouco mais que sensacionalista. Foi lá para dizer “vejam esta miséria”.

O presidente não sacou, mas podia, de uma proeza. Podia ter levado com ele dois ou três banqueiros, mais os senhores administradores das companhias de seguros. Se seguem nas viagens de Estado à Capadócia, também podiam ir ao Oeste. Era importante a presença desta rapaziada com capacidade de assumir ali o compromisso de não virar as costas aos problemas daquelas pessoas. Era mais importante a presença deles que da trupe do “sim, senhor presidente” e “cuidado com a cabeça, senhor presidente” que acompanhou o “senhor presidente”.

Mas não. Cavaco foi ao Oeste constatar que “e tudo o vento levou”. Nem uma proeza. Só levou ternura.

[Fotografia: Presidência da República]

Que rico presidente


No Chile, depois de vinte anos de centro-esquerda, a direita regressa ao poder pelas mãos do endinheirado Sebastián Piñera, numa vitória que acaba por ser, para a direita chilena, a primeira “democrática”, em meio século de “coiso”.

Entretanto, parece que o Don Sebastián que tantos procuram em Portugal, foi afinal parar ao Chile. Talvez tenha sido “derivado ao nevoeiro”.

[Fotografia: Via Forbes.com]

Cavaco!


Nem do Bloco nem do PS, Manuel Alegre é o candidato da Quinta da Fonte.

[Fotografia: Via Google Images.]

Embora fosse divertido


Nesta imagem, de Hong Kong, um grupo de pessoas manifesta-se contra a ligação ferroviária de alta velocidade à China.

Felizmente, os opositores do TGV, aqui em Portugal, não estão assim tão convencidos.

[Fotografia: Reuters]